“WhatsApp para surdos” promete facilitar a comunicação entre todos

libras1“WhatsApp para surdos” promete facilitar a comunicação entre todos

Daniel Froes

Existe uma barreira comunicativa entre surdos e ouvintes. Com poucas exceções, o ouvinte interage com o ouvinte e o surdo com o surdo, o que dificulta a inclusão social da comunidade surda.

Especialistas dizem que a melhor forma de se comunicar com os surdos é através da Libras (Língua Brasileira de Sinais). Mas, nem sempre isso é possível, porque a maioria dos ouvintes desconhece a língua de sinais.

Para superar essa barreira, é importante que o ouvinte possa estabelecer a comunicação com o surdo, e vice-versa, através de outros meios. Mecanismos que favoreçam um diálogo eficaz, rápido e espontâneo.

As tecnologias da informação e comunicação podem contribuir nesse sentido. Por exemplo, o Bruno Rafael, 26 anos, que é formado em Ciência da Computação pela UFAL (Universidade Federal de Alagoas), campus Arapiraca e faz Mestrado em Informática no Campus A. C. Simões, e uma equipe de bolsistas da universidade e parceiros, como os designers do grupo Cumbuca, está desenvolvendo um aplicativo que promete facilitar a comunicação entre ouvintes e surdos.

O Falibras é um projeto antigo da UFAL que tem como objetivo criar um tradutor Português para a Libras por meio de animações. No final da graduação, Bruno era bolsista do projeto. Em 2013, ele propôs ao seu orientador a ideia de integrar o Falibras às redes sociais.

Na entrevista a seguir, Bruno fala sobre o que diferencia o aplicativo desenvolvido por ele e sua equipe de outros aplicativos que traduzem o Português para a Libras; em que fase está o projeto; o esforço para disponibilizar o app rapidamente e a participação que fará na XX Conferência Internacional sobre Informática na Educação, que acontece em Santiago (Chile), de 1 a 3 de dezembro.

Existem outros aplicativos com a mesma proposta do Falibras? Ele será integrado a qual rede social?

Já ouviu falar no Hand Talk? Ele também é um app que traduz o Português para a Libras. No entanto, existem algumas diferenças entre os projetos. O Falibras tem um cunho acadêmico e social. Ainda não é uma empresa. Além disso, o Hand Talk só faz a tradução, o Falibras é um tradutor completo. E o meu projeto é um messenger que traduz em tempo real o diálogo. Ele será integrado com a rede social Telegram, que é uma concorrente do WhatsApp. Isso fará com que a ferramenta não seja usada apenas por ouvintes ou surdos. Mas que possa unir as duas comunidades.

O que falta terminar no projeto?

Existe muita coisa pronta. Exemplo, o tradutor, a parte de interpretação textual, está pronto. Mas, por ser algo acadêmico, todo ano muda os bolsistas, todo ano é uma forma diferente de desenvolver. Isso faz o processo se tornar lento.

A ideia é finalizá-lo no próximo ano? E como pretende disponibilizá-lo?

Estou escrevendo a proposta de dissertação. Acho que no começo do ano eu termino o processo de desenvolvimento e começo a testar. Meu intuito é que todos possam usar de forma gratuita. Mas é praticamente impossível manter um projeto assim sem capital.

Algum surdo já usou o Falibras ou isso é só mais pra frente?

Já mostrei para alguns amigos, mas algo totalmente informal.

Como foi receber a notícia de que o seu artigo foi aceito para ser apesentado e publicado na XX Conferência Internacional sobre Informática na Educação, que acontece em Santiago (Chile), de 1 a 3 de dezembro?

Eventos assim abrem espaço para que os pesquisadores possam enviar seus trabalhos para que sejam debatidos na conferência. Foram enviados mais ou menos 200 artigos e são selecionados 30. A parte escrita do artigo foi com o foco na educação e na exclusão social dos surdos. Eu cito as dificuldades que o surdo tem de aprender o Português e que a sua exclusão social é devido à falta de uma língua comum. Eu Mostro que o governo brasileiro compreende que a forma correta de educar o surdo é ensinando a Libras desde criança. E que os profissionais que vão encontrar um surdo quando estiverem trabalhando vão precisar da Libras para poder se comunicar com o indivíduo. A partir disso, o ouvinte precisa aprender a Libras para melhor exercer sua função, quando assim for necessário. E o surdo precisa aprender o Português por questões de sobrevivência. E não existe forma melhor de aprender uma segunda língua que não seja praticando. Nesse contexto, foi gratificante ter um trabalho aceito em uma conferência importante. Espero poder representar bem a equipe e a universidade.

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Todas as imagens: Arquivo Pessoal

Fonte: Razões para Acreditar

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