Questões indígenas

Língua indígena começa a ser ensinada no Centro de Línguas do Acre

Joaquim Mana ministrou a oficina para cerca de 30 professores do CEL (Foto: Cedida)

Como parte do planejamento para as aulas de línguas indígenas no estado, o Centro de Estudo de Línguas (CEL) realizou nesta segunda-feira, 26, uma oficina sobre a Hãtxa kui, língua matriz do povo Huni Kui. Cerca de 30 professores do CEL participaram da aula, ministrada pelo professor-doutor em linguística Joaquim Mana Kaxinawa.

Mana explica que serão ofertadas ao público cinco oficinas de 20 horas, mostrando a cultura e a língua de cinco povos acreanos: Huni Kui, Jaminawa, Madija, Ashaninka e Manchineri. Na oficina de ontem, foi apresentada a estrutura do idioma Hãtxa kui, que Mana estuda e está ajudando na elaboração de livros.

Para o professor e pesquisador, “a escrita surge para fixar todo o conhecimento da convivência de um povo”, por isso é tão importante a organização e propagação de sua língua. Entusiasta da ideia de fortalecer a educação e cultura indígena do Acre, o governador Tião Viana está garantindo todo o apoio para a produção dos livros didáticos e para o ensino da língua, como está ocorrendo no CEL. Continue lendo

No Festival de Berlim, indígenas lançam manifesto contra intolerância

O documento foi lido após a exibição do documentário “Ex-Pajé”, de Luiz Bolognesi, sobre a evangelização de povos indígenas.

Ex-Pajé

Dirigido por Luiz Bolognesi, “Ex-Pajé” foi produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane

A magia da floresta veio para o frio de Berlim, e junto com a magia vieram também o drama da violência do etnocídio, do proselitismo religioso e da destruição da Amazônia. Foi exibido no sábado 17 de fevereiro, na sessão Panorama do Festival de Cinema de Berlim, o filme Ex-Pajé, de Luiz Bolognesi, produzido por Laís Bodanzky e os irmãos Caio e Fabiano Gullane (time que volta a Berlinale depois do sucesso de Como Nossos Pais, de Laís, ano passado), um belíssimo documentário que mostra a violência do etnocídio dos povos indígenas no Brasil.

O filme acompanha Perpera, um antigo xamã do povo Paiter-Suruí que foi convertido ao evangelismo, tendo que abandonar não só os poderes espirituais, como toda a transmissão de conhecimento ligada as práticas xamãnicas. Estavam junto na sessão em Berlim os indígenas Ubiratã e Kabena Suruí, mãe e filho — Perpera permaneceu no Brasil por não viajar de avião. Após a sessão, o diretor Bolognesi leu um manifesto contra o etnocídio escrito por lideranças indígenas, que reproduzo na íntegra abaixo. Continue lendo

Processo Seletivo Simplificado da Licenciatura Indígena

Foi realizada este inicio de semana a publicação do Edital PSSLIN 06/2018
(Processo Seletivo Simplificado da Licenciatura Indígena).

Da versão enviada anteriormente, houve apenas algumas correções e mudanças pontuais e o acréscimo de alguns critérios no anexo 2 para prever as diversas realidades sociolinguísticas da região.

O período de pré-inscrição através de entrega de um formulário e cópias de CPF e RG iniciaram na segunda-feira dia 29/1 e ao final haverá a publicação da lista dos pré-inscritos.
A FOIRN está realizando a divulgação dos formulários de pré-inscrição e do edital PSSLIND 2018. Desse modo, em março haverá as inscrições online dos pré-inscritos, bem como de outros candidatos que não fizeram a pré-inscrição e queiram se inscrever nesse período. A FOIRN se dispôs a dar o devido apoio a quem precisar realizar as inscrições online no site da COMPEC/UFAM. Vejam o cronograma das atividades referentes a esse processo, que finaliza meados de junho, para matrícula ainda em junho se possível.
As provas serão em São Gabriel (sede) [Turma Yegatu], em Tunui – Rio Içana [Baniwa] e em Taracuá – Rio Waupés [Tukano].
As línguas do pólo Tukano foram ampliadas devido às reinvindicações de grupos que pediram que suas línguas pudessem fazer parte do processo. Na verdade isso já ocorreu no PSSLIND 2015. O que fizemos foi dar mais formalidade a isso.

Baixe o EDITAL

Fonte: divulgação interna.

Papa pede reconhecimento de indígenas e fim da violência

Durante missa em região dos mapuches, Francisco diz que luta pelo reconhecimento não deve ser baseada na violência. Região chilena é palco de conflito entre comunidades indígenas e empresas agrícolas.O papa Francisco defendeu nesta quarta-feira (17/01) em Temuco, na região chilena da Araucanía, berço de origem dos índios mapuches, o reconhecimento das culturas indígenas, mas instou os mapuches a abandonar a violência. Araucanía é palco de um conflito entre comunidades indígenas, que exigem terras ancestrais, e empresas agrícolas. Continue lendo

O Paraguai redescobre o guarani

Assunção, Paraguai – Quando era estudante, no Paraguai, os professores a faziam ajoelhar no sal grosso e no milho, às vezes a manhã inteira, como castigo por falar sua língua-mãe, o guarani, em sala de aula.

“E tinha que ser na frente dos meus amigos, para eles verem, no preto e no branco, o que acontecia com quem se atrevesse a falar”, diz a ativista Porfiria Orrego Invernizzi, hoje com 67 anos.

Outros eram forçados a ficar sem comer e beber o dia inteiro, tinham que usar fralda como forma de humilhação ou simplesmente apanhavam por usar a língua indígena. Esse tipo de tratamento existiu nas escolas paraguaias durante praticamente toda a história do país – ou melhor, até a queda do ditador Alfredo Stroessner, cujo governo de 35 anos caiu em 1989.

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ONU aponta discriminação mulheres indígenas como barreira na eliminação da fome

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, acredita que a erradicação da fome e pobreza extremas têm um grande obstáculo: a discriminação tripla sofrida pelas mulheres indígenas.

A declaração foi feita pelo director-geral da FAO, José Graziano da Silva, durante uma visita ao México, encerrada na semana passada. Segundo ele, há discriminação de pobreza, de género e de etnia.

O responsável lembrou que as indígenas enfrentam taxas altas de pobreza, desnutrição crónica e analfabetismo. Essas mulheres também têm menos acesso a cuidados médicos e à participação na política.

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