Línguas Indígenas

As freiras que, em vez de catequizar, defenderam cultura indígena e viram povo ‘renascer’

As irmãs em 1976, antes de abandonarem as roupas tradicionais de freiras

Setembro de 2013, nordeste do Mato Grosso. A casa simples da freira Geneviève Hélène Boyé, a irmãzinha Veva, estava tomada por algumas dezenas de pessoas. No interior da residência, fora cavado um buraco retangular no chão de terra e, dentro dele, jazia seu corpo, pendurado em uma rede branca, a mesma na qual ela dormia todas as noites.

Ao redor, índios Apyãwa – conhecidos também como Tapirapé – batiam levemente os pés no chão, balançando sutilmente o corpo, enquanto entoavam um longo canto lamurioso. Depois de a cova ser fechada com tábuas, as mulheres, chorando, peneiraram quilos de terra por cima, conforme sua tradição. Alguns não indígenas acompanhavam o ritual e repetiam os movimentos, entre eles Odile Eglin, a irmã Odila. Continue lendo

SEJEL/AM prestigia Jogos Indígenas do Alto Solimões, em Benjamin Constant

O secretário da Sejel, Manoel Almeida, esteve presente da abertura dos jogos e disse que o esporte ajuda a diminuir a violência nas comunidades

Cerca mil pessoas participaram da abertura da 2ª Copa Indígena do Alto Solimões, em Benjamin Constant, município distante 1.100 quilômetros de Manaus. O evento, que conta com o apoio do Governo do Amazonas, e está sendo realizado na comunidade Filadélfia, área indígena da cidade de Benjamin Constant, e foi inteiramente traduzido para a língua materna dos Tikunas.

Participaram da cerimônia o secretário de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), Manoel Almeida; o diretor de Política Intersetorial do Ministério do Esporte, Rafael Azevedo; a gerente de Política de Esporte para a população indígena do Ministério do Esporte, Débora Nascimento; o prefeito de Benjamin Constant, David Nunes; o vice- prefeito de Tabatinga, Plínio Cruz; lideranças indígenas; parlamentares da região; representantes das Forças Armadas; e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Continue lendo

Pesquisa de Aluno do Uniaraxá é destaque em eventos nacionais

Pesquisa de Aluno do Uniaraxá é destaque em eventos nacionais
O Uniaraxá marcará presença no 38º Encontro Nacional de Engenharia de Produção que acontecerá em Maceió (AL), entre os próximos dias 16 e 19 de outubro. O trabalho de autoria do Aluno Egresso do Curso de Engenharia de Produção do Uniaraxá, Rafael dos Santos Guimarães, intitulado “Processo Produtivo de Batata Pré-Frita na Empresa Bem Brasil” foi aprovado e representará o Centro Universitário de Araxá, no evento de âmbito nacional.

O Encontro Nacional de Engenharia de Produção (Enegep) acontece, anualmente, desde 1981. A partir de 1986, passou a ser organizado pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (Abepro); Entidade que agrega profissionais, pesquisadores, estudantes e professores interessados no desenvolvimento da Engenharia de Produção no país. Continue lendo

Como amansar a escola? O barro, o jenipapo, o giz

Duas mestras Xakriabá que trabalham com barro – dona Libertina Ferro e dona Lurdes Evaristo – foram convidadas pela Faculdade de Arquitetura da UFMG para serem professoras da disciplinaArquitetura e Cosmociência. Elas moram na terra indígena de São João das Missões, norte de Minas, e viajaram pela primeira vez a Belo Horizonte. Encerraram o Programa Saberes Tradicionaiscom aulas práticas, construindo no campus Pampulha da Universidade Federal uma casa tradicional de pau-a-pique com pinturas artísticas de pigmentos de toá e telhas de barro. Foi quando um aluno, com calculadora à mão, perguntou:

– Como é que se mede o espaçamento da madeira? Qual a quantidade de barro?

– São três mãos cheias de barro para cada quadrado – foi a resposta de uma das mestras, que encheu a mão e mostrou na hora como se fazia.

Os futuros arquitetos indagaram quanto tempo durava uma casa xakriabá e foram informados que entre quatro a seis anos, dependendo da fase da lua no momento de retirar o barro. Um deles, então, ofereceu uma técnica capaz de manter em pé durante a vida toda casas tão bonitas como aquela.

– Não, meu filho. Obrigado, mas isso é perigoso. Se aceito sua oferta, como é que vou ensinar meus filhos e netos a construir? Não é a casa que tem que durar, mas o conhecimento. A casa usada se desfaz justamente para que eles observem como se faz uma nova. A casa cai, mas se fica a forma de aprender, a gente levanta outras e é assim que o conhecimento permanece, circula e se renova.

A construção da casa, em 2015, foi narrada por Célia Xakriabá Mīndã Nynthê nesta terça-feira (31), na Universidade de Brasília (UnB) durante a defesa de sua dissertação de mestrado, que discute a reativação da memória e a lógica territorializada, com reflexões epistemológicas sobre os caminhos da educação numa temporalidade marcada pelo barro, o jenipapo e o giz. Continue lendo

Acordos de conciliação são escritos em línguas indígenas em Roraima

No início de fevereiro, o juiz Aluízio Ferreira Vieira, do TJ/RR, expediu uma portaria que regulamenta a maneira como devem ser redigidos os termos de conciliação no Polo Indígena de Conciliação Maturuca, localizado na comunidade indígena Maturuca.

De acordo com a norma, os termos de conciliação devem ser redigidos na língua materna das partes, residentes da terra indígena Raposa Serra do Sol. O polo, atualmente, conta com 16 conciliadores, dentre os quais estão professores, agentes de saúde e lideranças das comunidades indígenas de diversas etinias, como Macuxi, Taurepang e Ingaricó.

Segundo o juiz Aluízio Ferreira Vieira, que é coordenador do polo, a portaria regulamentou a prática, que antes era feita de maneira informal. “Desta forma, ficam termos claros e o idioma deles é valorizado.” Continue lendo

‘Dia do Índio’: O que faz o Brasil ter 190 línguas em perigo de extinção

Känä́tsɨ (à esq.) e Híwa falam entre si uma língua que só eles conhecem | Foto: Liames/Unicamp

Moradores da fronteira do Brasil com a Bolívia, o casal Känä́tsɨ, de 78 anos, e Híwa, de 76, são os dois últimos falantes ativos da língua warázu, do povo indígena Warazúkwe.

Os dois se expressam mal em castelhano e português, e conversam entre si somente em warázu – embora seus filhos e netos que moram com eles falem em português e espanhol.

“Aquela casa desperta, para quem entra nela, uma sensação incômoda de estranheza, como se o casal idoso que vive nela viesse de outro planeta, de um mundo que eles nunca poderão ressuscitar”, escrevem os pesquisadores Henri Ramirez, Valdir Vegini e Maria Cristina Victorino de França em um estudo publicado na revista Liames, da Unicamp.

Com ajuda do casal idoso, esses linguistas da Universidade Federal de Rondônia descreveram pela primeira (e possivelmente a última) vez o idioma do povo Warazúkwe. Continue lendo

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