Simpósio Povos Indígenas Falantes de Línguas Guarani: HISTÓRIA E ETNOGRAFIA CONTEMPORÂNEAS

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), do Museu Nacional/UFRJ, convida para o Simpósio Povos Indígenas Falantes de línguas Guarani: História e Etnografia Contemporâneas, que acontecerá no dia 08 de novembro de 2017, das 9h às 17h, na Sala Roberto Cardoso de Oliveira, no Museu Nacional.

O Simpósio, organizado pelo Laboratório de Pesquisas em Etnicidade, Cultura e Desenvolvimento do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional (LACED/PPGAS/MN/UFRJ), pelo Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal da Grande Dourados (PPGH-UFGD) e pelo Centro de Investigaciones Historicas y Antropológicas (CIHA, Bolívia), tem como objetivo central refletir acerca da história e da etnografia contemporâneas dos povos indígenas falantes de línguas Guarani na Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, recolocando, por um lado, a questão da diversidade étnica entre esses povos e, por outro, a construção pela antropologia moderna do Guarani como uma supra categoria étnica homogeneizante.

Os estudos etnográficos dos povos indígenas falantes de línguas guarani os identificam como descendentes dos povos Cários, Itatins, Carijós, Chiriguanaes, entre muitos outros. Esses povos que entraram em contato com os conquistadores europeus, a partir da primeira metade do século XVI, foram progressivamente acomodados pelos conquistadores e missionários sob a denominação genérica “Guarani”, sendo o parentesco entre as línguas faladas por esses indígenas o elemento considerado para tal homogeneização. De acordo com Graciela Chamorro, professora do PPGH-UFGD e estudiosa da história e da cultura do povo Kaiowa, esse parentesco linguístico continuou sendo assumido por pesquisadores posteriores e o caso mais emblemático talvez seja o de Alfred Métraux que, em trabalhos clássicos da década de 1920, cunhou a expressão “civilização tupi-guarani”. “Da mesma forma”, afirma Chamorro,  “o livro de Egon Schaden, Aspectos Fundamentais da Cultura Guarani (1954), é uma das obras modernas que mais contribuiu para reunir e classificar as etnias guarani falantes da metade do século XX, sobretudo aquelas presentes no Brasil”. Assim, como as obras As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da Religião dos Apapocúva-Guarani, de Curt Unkel Nimuendajú (1914) e  Ayvu Rapyta: Textos míticos de los Mbyá-Guaraní del Guairá de León Cadogan (1959), o livro de Schaden tornou-se um clássico da literatura antropológica sobre os povos indígenas falantes de línguas guarani.

No entanto, destaca Pablo Barbosa, pesquisador  do LACED/MN e do CIHA:  “alguns estudos recentes vêm demonstrando que, se colocada em juízo a existência de uma única ‘cultura guarani’, é necessário se perguntar, por exemplo, sobre a existência real desses “aspectos” estudados por Egon Schaden, sobre sua validez no tempo e no espaço e do quão  “fundamentais” eles podem ser ou não”. Como a situação contemporânea dos povos indígenas guarani falantes há muito não corresponde à realidade descrita por Egon Schaden em Aspectos fundamentais, Barbosa entende ser fundamental retomar, discutir, atualizar e ampliar essa obra à luz de novos dados históricos, linguísticos, etnográficos. O pesquisador propõe, então, um direcionamento para os estudos de modo a oferecer à comunidade acadêmica e aos próprios povos indígenas falantes de línguas guarani, novas pesquisas: “essas pesquisas, a partir dessa perspectiva, estariam mais próximas de contemplar as diversas e complexas situações sociais, culturais, históricas, linguísticas e políticas desses povos, nos cinco países e nos diversos contextos onde vivem e viveram”.

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