Professora indígena de Rondônia ganha prêmio de educadora do ano

PROFESSORA ELISÂNGELA DELL-ARMELINA SURUÍ É A EDUCADORA DO ANO DE 2017 (FOTO: RENATO PIZZUTTO/FVC))

As crianças da comunidade indígena Paiter, na cidade de Cacoal, a 400 quilômetros de Porto Velho (RO) estavam com dificuldades de aprender a ler e escrever. O povo, que teve o primeiro contato com o homem branco em 1968, mantém preservada boa parte de suas tradições, inclusive a língua, que ainda é a mais falada por lá.

O problema é que não existe muito material didático na linguagem dos Paiter, e os escritos em português eram muito difícil de ser assimilado pelas crianças. A professora Elisângela Dell-Armelina Suruí não viu outra alternativa e decidiu preparar o próprio material didático. Nasceu assim o projeto “MamugKoeIxoTig”.   

Mas a professora foi além. Trabalhando com uma classe multisseriada de 1ª a 5ª, resolveu incluir as crianças na elaboração do material. Passou a realizar atividades membros da comunidade para falar da realidade na aldeia. Os alunos levavam para a classe o que aprenderam e, com base nisso, construíam uma atividade de alfabetização sobre o tema. Por se tratar de séries e idades diferentes, cada um contribui com um pouco de conhecimento, resultando em um material rico.

O resultado foi um conteúdo que conecta a língua Paiter ao português, além da Língua Brasileira de Sinais, já que existem muitos indígenas na comunidade com deficiência auditiva. O trabalho deu tão certo que rendeu à Elisângela o prêmio de Educadora do Ano, entregue em cerimônia realizada na noite desta segunda-feira (30).

“Como a nossa comunidade é distante aos olhos dos órgãos públicos, esse prêmio ajuda a mostrar que existimos, que estamos ali”, agradeceu a professora, depois de dizer algumas palavras na língua Paiter. Agora, ela planeja fazer uma enciclopédia em em seu idioma tradicional.

Essa foi a 20ª edição do Prêmio Educador Nota 10, que contou com um recorde de 5 mil inscrições. Entre os dez finalistas, os destaques vão para um projeto que aborda o ensino de História Antiga a alunos que cumprem pena em regime fechado; um outro investiga como a sexualidade é expressa através da Geografia. Há, ainda, trabalhos desenvolvidos a partir de textos de Clarice Lispector e Sylvia Orthof para o estímulo à escrita; de pesquisa etnográfica sobre tribos indígenas de Pernambuco e de sensibilização contra o racismo e o preconceito contra imigrantes.

Fonte: Revista Galileu

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