Professor Kaingang é primeiro docente indígena da Unicamp

O docente Selvino Kókáj Amaral é o primeiro indígena a dar aulas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Selvino será um dos responsáveis pelas disciplinas Línguas Indígenas I e Tópicos de Línguas Indígenas, do curso de graduação em Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da instituição. O indígena dará aulas sobre seu idioma materno, o Kaingang, aprendido na comunidade onde nasceu, Terra Indígena do Guarita, que fica no noroeste do Rio Grande do Sul.

Selvino Kókáj Amaral é formado em magistério pela rede estadual e foi contratado por meio do Programa Professor Especialista Visitante em Graduação, da Pró-Reitoria de Graduação (PGR) da Unicamp. Como docente visitante, Selvino já ministra o curso extracurricular “Língua Kaingang viva: pesquisa e prática em uma língua Jê” e realiza palestras abertas ao público e reuniões de trabalho com docentes e alunos. Outra participação importante do indígena na Unicamp é na finalização de um dicionário escolar do dialeto Kaingang paulista, que já vem sendo elaborado pelo grupo de pesquisa liderado pelo docente Wilmar D’Angelis.

Atualmente, a comunidade Kaingang é a terceira maior no Brasil, em termos populacionais, e se concentra, principalmente, no Rio Grande do Sul. Em segundo lugar, de acordo com dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), está o povo Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul e em primeiro os Tikuna, residentes no Amazonas. Pouco mais da metade da população Kaingang é falante da língua nativa.

Cotas na Unicamp

A Unicamp deverá adotar, a partir de 2019, sistemas múltiplos de ingresso nos seus cursos de graduação. A proposta tem por objetivo ampliar a democratização do acesso à Universidade. Entre as propostas apresentadas ao Conselho Universitário (Consu), no último dia 31, estão a adoção de cotas étnico-raciais, a adesão ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a reformulação do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) e a criação do Vestibular Indígena.

As medidas ainda serão avaliadas por cada unidade de ensino e pesquisa da instituição, que poderão poderá sugerir mudanças ou adaptações ao texto. A versão final será avaliada pelo Consu em novembro e devem valer a partir de 2019.

O documento elaborado por um grupo de trabalho propõe que as vagas oferecidas pela Unicamp na graduação sejam divididas da seguinte forma: 80% via Vestibular e 20% via Sisu, que é o sistema por meio do qual as universidades públicas de ensino superior oferecem vagas a candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dos 80% do Vestibular, 65% seriam preenchidos por ampla concorrência e 15% por candidatos optantes pelas cotas étnico-raciais (autodeclarados pretos e pardos – PP).

Já os 20% do SISU seriam desmembrados em 10% para estudantes oriundos de escolas públicas (EP), 5% para estudantes pretos e pardos procedentes de escolas públicas e 5% exclusivamente para estudantes pretos e pardos. Com isso, a partir de 2019, a Unicamp terá 25% das vagas destinadas às cotas étnico-raciais.

No final de maio, a instituição já havia dado um passo importante para a diminuição da desigualdade racial e social, aprovando o sistema de cotas étnico-raciais (pretos, pardos e indígenas – PPIs), para ingresso de estudantes nos seus 66 cursos de graduação.

Fonte: APUFPR – SSind

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