Poeta indiano lança coletânea com traduções de 28 línguas

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

Abhay K: antologia percorre 3 mil anos de cultura da Índia

Durante décadas, o poeta e diplomata Abhay K. leu dezenas de antologias da poesia indiana. Ele tinha uma mira encontrar poemas tão belos que pudessem mudar a vida das pessoas. Abhay percorreu 3 mil anos de cultura. A pesquisa resultou na antologia 100 Grandes Poemas da Índia, publicada em edição especial da revista de tradução da USP, a ser lançada hoje, às 19h, no Beirute da Asa Sul.

Pela primeira vez, foram traduzidos para a língua portuguesa poemas de 28 línguas oficiais da Índia. Foi um trabalho, simultaneamente, árduo e prazeroso. O erotismo, o amor, o êxtase, a compaixão, as aflições, a espiritualidade, a beleza e o sentido de transcendência que impregnam a alma indiana estão no livro. “A espiritualidade é característica da poesia indiana e é evidente em temas como a imortalidade da alma, a natureza cíclica do tempo, o amor devocional, a unicidade do universo, o mundo como família, as relações cotidianas”, comenta Abhay.

As 28 línguas oficiais da Índia são representativas de culturas muito diferentes. Têm raízes europeias ou estão enraizadas em formas tradicionais da Índia. É uma produção que vai dos Vedas até Tagore. Os temas são filosofia, erotismo, amor, questões políticas e sociais, problemas que atingem a Índia como um todo. “Os 100 poemas de 28 línguas oficiais da Índia escritas ao longo de 3 mil anos transmitem a diversidade de cultura e línguas na Índia, bem como tradições literárias antigas em cada uma dessas línguas”, enfatiza Abhay. “Não se pode encontrar essa diversidade em qualquer outro lugar do mundo”.

Espiritualidade milenar

Entre os recentes livros de poesia publicados por Abhay K. estão The Seduction of Delhi (Bloomsbury, India) e The Eight-Eyed Lord of Kathmandu (The Onslaught Press, UK). Ele é também o editor de Capitals  (Bloomsbury, India) uma antologia poética sobre as capitais do mundo, e recebeu o Prêmio Literário Saarc em 2013.
No poema Canção da alma, Abhay tenta fixar o sentido da espiritualidade indiana, que perpassa a antologia 100 Grandes Poemas da Índia: “Sempre estive aqui/como vento que sopra/ou folhas que caem/como sol brilhante/ou riachos correntes/como pássaros gorgeantes/ou botões florescentes como céu azul/ou espaço vazio/eu nunca nasci/eu não morri.”
Os versos de Amigo, este é o único caminho, de Sachal Sarmast, toca no tema da necessidade de coragem : “Amigo, este é o único caminho/para aprender o caminho secreto:/Ignore os trajetos dos outros,/mesmo as trilhas íngremes dos santos./Não siga./Nem viaje mesmo./Rasgue o véu do seu rosto.”
100 Grandes Poemas da Índia
Organização de Abhay K./Edição especial da revista de tradução da USP. Lançamento hoje, às 19h, no Beirute da Asa Sul (109 Sul)

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