Lisboa vai receber Enciclopédia do Migrante, projeto que reune 400 histórias de oito países

Uma enciclopédia com 400 testemunhos de migrantes, entre os quais 100 portugueses, vai integrar o espólio da Câmara Municipal de Lisboa, numa iniciativa que reuniu oito cidades de quatro países para trazer um novo olhar sobre as migrações.

O projeto, transnacional e cofinanciado pela União Europeia, junta Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Gibraltar, tendo por base um conceito artístico da autoria de Paloma Sobrino, convidada em 2007 para abordar a questão da migração de um ponto de vista mais íntimo.

O início faz-se com migrantes de um bairro em França a escreverem cartas, para progressivamente ir-se alargando até chegar a 400 migrantes de oito cidades (Brest, Rennes, Nantes, Gijon, Porto, Lisboa, Cadis e Gibraltar) em quatro países europeus.

Em Portugal, a enciclopédia já foi apresentada no Porto em 18 de maio e vai hoje ser mostrada em Lisboa, onde todo o trabalho de participação na criação da enciclopédia esteve a cargo da Câmara Municipal e da associação Renovar a Mouraria.

Em declarações à agência Lusa, Filipa Bolotinha, da associação, explicou que todas as cidades trabalharam para a criação daquilo que é uma peça artística, que é uma enciclopédia clássica, “mas cujo conteúdo científico é substituído por 400 testemunhos de 400 migrantes”.

“Esses testemunhos são constituídos por uma carta manuscrita, na língua que o migrante quiser, destinada a alguém distante que ficou na sua terra natal”, adiantou, acrescentando que juntamente com a carta há uma fotografia do migrante em questão.

Filipa Bolotinha defendeu que este é um projeto cujo objetivo maior é trazer um “olhar diferente para a questão das migrações”, com base na partilha da solidão e da distância que todas as pessoas migrantes têm em comum.

Em relação aos 50 testemunhos que representam a cidade de Lisboa, a responsável adiantou que a intenção foi a de que o conjunto fosse o mais diversificado possível, adiantando que as nacionalidades vão desde o Brasil, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Cabo verde, Bangladesh, Nepal, China, Roménia ou Guiné-Bissau até à Itália, Alemanha, França ou Espanha.

“Os 400 testemunhos cobrem 103 países e estão representadas 74 línguas diferentes. Em Lisboa são mais de 10 línguas”, revelou.

Filipa Bolotinha adiantou que só existem oito edições da enciclopédia, uma por cada cidade envolvida no projeto, sendo que o livro está editado em quatro línguas, além de haver também uma versão digital.

“A enciclopédia dos migrantes online tem uma versão em português onde estão todas as cartas, todo o conteúdo da enciclopédia reproduzido nesse site. Para além das cartas, o livro contém 16 ensaios científicos”, apontou, acrescentando que a ideia é que a enciclopédia em papel, por ser um objeto único, seja pública, mas de acesso condicionado.

A responsável adiantou ainda que, até dezembro, a enciclopédia vai fazer um périplo pelas bibliotecas municipais nacionais, onde estará exposta e poderá ser consultada a pedido.

O vereador dos Direitos Sociais da Câmara de Lisboa, pelouro que integrou o projeto, juntamente com a Cultura, explicou que cabia a cada autarquia financiar parte do projeto, tendo a de Lisboa apoiado com 3 mil euros.

Segundo João Afonso, o interesse do município está não só em ficar com um registo do que são as comunidades e quem são estas pessoas, mas também ficar a saber de que forma se cruzam na cidade e o que é que elas esperam da cidade de Lisboa.

Por outro lado, o vereador anunciou que é intenção da autarquia expor a enciclopédia.

“É uma peça única e nós queremos apresentar e levar essa enciclopédia a vários pontos da cidade, usando a rede de bibliotecas de Lisboa e poder levá-la e pô-la à discussão junto das várias comunidades”, disse o autarca.

A partir de janeiro de 2018 a enciclopédia vai fazer parte da exposição permanente do Museu de Lisboa.

Lisboa/Fim

Fonte: DN

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