Kike Martins: “Quando perguntava se no centro contavam com informação da Conselharia a respeito do ensino de português 100% das respostas foram negativas”

galego

Foto: PGL

Kike Martins

Nascido em Melide em 1978 e criado na Corunha, fez estudos de Filologia Galega na Universidade de Santiago de Compostela. Trabalhou em qualidade de bolseiro nos serviços informativos da CRTVG como assessor linguístico e, posteriormente, como bolseiro exercendo funções de Técnico em Normalização Linguística no SNL da USC.
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projeto Telefonemas foi uma iniciativa idealizada e financiada pola DPG, a AGLP e a AGAL. Tinha como objetivo informar todos os centros de secundário da Galiza, públicos, privados e subvencionados, dos passos a dar para incluir a língua portuguesa na oferta educativa do centro. A iniciativa nascia do conhecimento de a Conselharia da Junta não ter feito este labor, como se evidenciou.

Na atualidade há 10% de centros onde existe no mínimo uma turma de português face os 71% do sistema educativo da Extremadura. Para fazer um relatório desta iniciativa entrevistamos Quique Martins, o profissional que geriu o projeto telefonemas. Em sua opinião, “ podemos aspirar, no mínimo, a duplicar o número de centros que ofertem a matéria. Outra cousa bem diferente será ver quantos destes centros vão ter número de matrícula suficiente para a implementar”

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Pode-se afirmar, em geral, que os centros educativos estavam informados da legislação a respeito do ensino de português na Galiza?

Pode dizer-se, sem medo a errar, que não existia informação nenhuma. Na hora de me apresentar ao professorado sempre começava com a mesma frase: “o motivo da minha chamada é que da Conselharia não nos chega a informação que precisamos, é por isto que quero começar por pedir desculpas”. A resposta que me davam é que não me importasse, que já sabiam como corria a cousa. A surpresa era pouca. A seguir, perguntava se no centro contavam com informação da Conselharia a respeito do ensino de português. 100% das respostas foram negativas, também nos centros subvencionados (“concertados”).

Que tipo de pedidos ou queixas eram as mais comuns no que diz respeito do desempenho da Conselharia de Educação?

Na verdade, detetei bem mais resignação do que queixas e pedidos. Suponho que esta foi a razão principal de que na imensa maioria dos centros agradecessem sinceramente termos ligado para eles.

Julgas que a Lei de Aproveitamento da Língua Portuguesa, legislada na sequência da ILP VPA, foi um espoleta para o ensino de português no secundário?

Os dados que temos dizem-nos que 18 centros começaram a lecionar português neste curso. Se temos em conta que, no total, são 49 os centros em que há turma(s) de português, dá para acreditar que boa parte da responsabilidade se deve à ILP Valentín Paz Andrade.

Achas que a receção é diferente no ensino público que no privado?

À partida, e tal e como indiquei, o que mais se agradeceu foi o facto de termos ligado para os centros no plano informativo. O professorado sabia da possibilidade de introduzir o português no currículo do centro, mas não tinham muita ideia de passos, procedimentos e requisitos para o fazer.
Depois, quanto à possibilidade de introduzirem o português, os centros têm bastantes dificuldades. Se tivermos em conta que na maior parte dos casos a iniciativa parte dos Departamentos de Galego (isto é devido à hipótese de ser “matéria afim” ao seu curriculum) e os Departamentos estarem a sofrer a reforma massiva da primeira fornada de professorado desta matéria, observamos que os Departamentos estão a sobreviver com pouca estabilidade (professorado sem vaga fixa no centro) e com poucas horas disponíveis (dezenas de vagas amortizadas pola administração; por sinal, por parte da Conselharia antes referida).

Como foi a receção da proposta? Como foi, no geral, acolhida a ideia da possibilidade de introduzirem a língua portuguesa nos seus centros? Houve boa atenção? (se não fosse, a que achas ser devido?)

Mais uma vez vou partir dos dados. Os 100% dos centros que ofertam a matéria de português fazem parte do ensino público.
No que se refere à receção da informação, há que dizer que as vias são totalmente diferentes. Nos centros públicos falas diretamente com o professorado e o sistema é menos piramidal. Nos centros subvencionados nem sempre é fácil ter trato direto com a direção ou a “xefatura de estudos”.

Contudo, na minha opinião, o principal era testar se havia interesse por receber informação e, neste sentido, foi insignificante o número de centros que recusaram a informação fornecida.

São muitos os centros que têm português? E quantos podem vir a implementar depois desta campanha informativa?

Como comentei antes, são 49 os centros em que há turma(s) de português e 66 nos que se oferta, dum total de 494 centros contactados.

Quanto à segunda pergunta que colocas, acho que podemos aspirar, no mínimo, a duplicar o número de centros que ofertem a matéria. Outra cousa bem diferente será ver quantos destes centros vão ter número de matrícula suficiente para a implementar.

Acho que no futuro vai ser chave entrarmos, do ponto de vista informativo, no ensino primário, nomeadamente no alunado de 6º de primário e às suas mães e pais. Deveriam conhecer as muitas vantagens que proporciona a formação em língua, literatura e cultura lusófona e, depois, que passem a escolher.

Em que modalidade há mais vontade de introduzir a língua portuguesa? Como primeira ou segunda língua estrangeira, como matéria de livre eleição, como atividade extraescolar…?

Penso que para responder esta pergunta é melhor fazer uma série de categorizações.
Por uma parte temos os centros que levam muito tempo ofertando a matéria. Estes centros optaram quase exclusivamente pola via de segunda língua estrangeira, com uma única exceção que a oferta também como primeira língua estrangeira. Gostava de destacar que nalgum destes centros dispõem de Departamento próprio de língua portuguesa e que mesmo há centros que contam com professorado-leitor “nativo” proveniente do Instituto Camões.

Nos centros em que a matéria é de recente criação, poderíamos dizer que temos empate técnico entre segunda língua estrangeira e livre eleição.

Quanto aos centros futuríveis, a maior parte da retro-alimentação está a chegar-nos de centros que pedem aconselhamento para a programação da matéria de livre eleição.

Em qualquer caso, aguardo poder testar ao início do curso que vem como é que ficou o panorama e que superemos as expetativas mais otimistas. Isso seria uma maravilha para começar a sentar as bases duma educação linguística verdadeiramente inovadora para as futuras gerações do povo galego.

Fonte: Portal Galego da Lingua

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