Filme ‘Larfiagem’, sobre língua criada em SC, será exibido no FAM, em Florianópolis

Sessão gratuita será no dia 20, na UFSC. Curta é dirigido por catarinense e resgata história de idioma inventado por meninos de Herval d’Oeste.

Larfiagem foi criada nos anos 1950 em Herval d’Oeste (Foto: Divulgação)

O curta “Larfiagem”, que conta a história da língua criada por meninos da cidade catarinense de Herval d’Oeste nos anos 1950, será exibido em Florianópolis na próxima terça-feira (20), dentro da programação do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM).

A sessão começa às 19h30, no Centro de Cultura e e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A entrada é gratuita.

O filme, dirigido pela catarinense Gabi Bresola, é vencedor do Prêmio Catarinense de Cinema 2013, e reúne alguns dos inventores do idioma, na época garotos entre 7 e 15 anos, hoje na casa dos 60 e 70 anos. O curta também explora arquivos, pesquisas acadêmicas, entrevistas e fotografias da época – trabalho feito em parceria com o escritor e pesquisador Dennis Radünz.

“Sempre quis saber de onde vinha, escutava na rádio, ouvia os meninos falarem das meninas no colégio, em vários pontos da cidade. É um filme pessoal e autobiográfico, sobre uma Herval que não existe mais, acho que foi isso que me moveu”, conta a diretora de 24 anos, nascida na cidade vizinha de Joaçaba, também no Oeste.

Para despistar a polícia

O idioma surgiu nos arredores da estação ferroviária da cidade, que na época funcionava como entreposto para mercadorias que seriam distribuídas pelo estado. O local era passagem obrigatória para quem era do Oeste e da Serra e queria viajar para estados como Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

Cena de ‘Larfiagem’, de Gabi Bresola (Foto: Reprodução/RBS TV)

Em meio a esse movimento, alguns garotos – que trabalhavam no local vendendo doces e frutas, engraxando sapatos e carregando malas – começaram a usar gírias e a inventar palavras pra se comunicar entre si. E assim nasceu a “larfiagem”, para despistar a polícia, que não queria saber da criançada circulando na estação.

“Surgiu como uma defesa nossa. Quando um via que a polícia estava chegando, falava pros outros, pra eles não entenderem. Aí nós ‘dava’ um jeito de cair fora, passar por trás do trem”, conta o aposentado Adão do Amaral, que era menino naquele tempo.

Com o tempo e a desativação da estrada de terra, a larfiagem deixou de ser tão ouvida nas ruas como antes. “O pessoal sente aquela saudade, isso tudo tinha pelo trem. Infelizmente hoje tá tudo abandonado…dá pra se dizer que era uma cultura que a gente aprendeu”, diz o também aposentado Edson Bulh. Assista ao trailer do filme.

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