“Diz lá!”, a aplicação que quer pôr os chineses a aprender português

Afirmam os seus criadores que a “Diz lá!” é a primeira aplicação para o ensino da língua portuguesa destinada a utilizadores chineses. Esta inclui um guia de conversação com temas que vão desde restaurantes, viagens, desporto, o estado do tempo, hospitais, correios e um conjugador de verbos.

Catarina Vila Nova

“Nós havíamos de fazer uma coisa para telefones”, atirou um dia, no decorrer de uma reunião com o Instituto Politécnico de Macau (IPM), o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Vários meses depois, e com o envolvimento de cerca de 15 académicos, nasceu a aplicação “Diz lá!”, desenvolvida pelo Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP). Com 15 mil verbos, 400 dos quais conjugados, e um guia de conversação com 20 temas, esta é a primeira aplicação para o ensino do português, destinada a utilizadores chineses, dizem os seus responsáveis.

“Isto é um trabalho pioneiro que nunca tinha sido feito e que coloca Macau na vanguarda da aprendizagem do português para chineses”, declarou ontem Carlos André, coordenador do CPCLP, na sessão de apresentação da aplicação. “O exemplo mais acabado do quão longe nós quisemos ir está no facto de termos introduzido 15 mil verbos, 400 deles estão conjugados, e uma grande parte está gravada em português com dezenas de horas de gravações”, acrescentou.

Para além do conjugador de verbos, a aplicação inclui ainda uma palavra do dia – a de ontem era “optimista” – com uma definição e exemplo e um guia de conversação. Com este, o utilizador da “Diz lá!” pode ir a um restaurante e perguntar “qual é o prato do dia?”, conversar sobre desporto e dizer que “gostaria de ver um jogo de ténis” ou ainda saber se “chove frequentemente em Macau”.

Carlos André estima em vários milhares, os potenciais utilizadores desta aplicação, que se estendem para lá dos que aprendem português através do ensino formal. “Há milhares de chineses pelo mundo que não estão ligados a nenhum sistema de ensino. Quantos é que estão em Portugal, no Brasil, em Angola? Há milhares de chineses no mundo que, seguramente, quando tiverem a notícia desta ‘app’ vão baixá-la”, afirmou o académico.

Com o lançamento desta aplicação, o CPCLP criou um novo desafio para si próprio. “O problema é que nós criámos aqui uma grande responsabilidade porque não podemos parar. Isto tem que estar em actualização e nós temos que fazer outra. Já estamos a pensar noutras ‘apps’”, desvendou Carlos André.

 

“TEMOS QUE FAZER UMA ANÁLISE MUITO LÚCIDA, FRIA E OBJECTIVA”

 

Carlos André avançou ontem, em declarações aos jornalistas, que a revista científica que o IPM vai lançar no final deste ano já motivou o interesse de 20 académicos, na sua maioria chineses. O ‘call for papers’ foi aberto há cerca de três meses e duas dezenas de pessoas de Macau, do interior da China, da Ásia em geral, de Portugal e do Brasil já manifestaram querer escrever para a “Orientes do Português”, cujo primeiro número será apresentado em Novembro, durante o colóquio anual do CPCLP. Em Julho, quando o projecto foi anunciado, foi explicado que a publicação seria nas línguas portuguesa e inglesa e que teria entre 15 a 20 artigos distribuídos por 200 a 250 páginas.

Antes de deixar Macau, na altura do Verão, Carlos André pretende ainda reunir com os responsáveis de todas as universidades chinesas que ensinam português e que integram a rede criada pelo IPM. “Temos que saber olhar para estes cinco anos, fazer uma análise muito lúcida, fria e objectiva, e depois sabermos o que se espera de nós a partir daqui, para que eu possa entregar uma pasta como deve ser a quem vem atrás de mim”, explicou.

 

IPM apresenta oito novos manuais para ensino do português

 

A sessão de lançamento da aplicação “Diz lá!” (ver texto principal) serviu também ontem para apresentar oito novos manuais, publicados pelo Instituto Politécnico de Macau entre Novembro e Dezembro do ano passado. Os livros são todos eles sobre o ensino do português e são da autoria de professores do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa e alguns foram elaborados em conjunto com académicos da China continental. As publicações estarão disponíveis para ‘download’ na página electrónica do IPM, porque “a encomenda de livros aqui é uma coisa que não tem significado”, explicou Carlos André, coordenador do CPCLP.

O “Manual prático de verbos portugueses”, de Li Fei, “tem presente a maior dor de cabeça” dos alunos chineses, ou seja, a conjugação de verbos, disse Carlos André, acrescentando que “o que está neste livro é o verbo em movimento”. Por sua vez, o “Português com textos”, de Sara Augusto e Caio Christiano, responde à questão “deve ou não a língua ser ensinada através da literatura”. Ontem foram também apresentados “De Portugal para o mundo – Gentes e rotas da lusofonia”, do geógrafo Jorge Carvalho Arroteia; “Sons da fala e sons do canto”, de Adelina Castelo, Bruno Morelo e José Coelho de Souza; “A prática do ensino do português como língua estrangeira”, de Caio Christiano; “Vocabulário do Português para diferentes chineses”, de Rui Pereira e “Escrever para diferentes finalidades”, de Isabel Poço Lopes. C.V.N

Fonte: Ponto Final Macau

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