Acervo de Lorenzo Dow Turner chega a Salvador

Coleção Lorenzo Dow Turner reúne diversas fotos - Foto: Divulgação

Coleção Lorenzo Dow Turner reúne diversas fotos – Foto: Divulgação

Acervo de Lorenzo Dow Turner chega a Salvador

Lorena Morgana

Após ficar em São Paulo de abril a agosto deste ano, chega a Salvador a exposição “Gullah, Bahia, África”. A abertura aconteceu dia 24/11, às 19 horas, no Palacete das Artes, e permanece até 31 de janeiro de 2016.

O acervo reúne mais de 100 fotografias e cerca de 18 horas de registros musicais e linguísticos feitos com nomes de grande referência do candomblé.

A exposição documenta parte da pesquisa desenvolvida por Lorenzo Dow Turner, primeiro linguista afro-estadunidense. O evento contará com a curadoria de Alcione Meira Amos, além da presença do cônsul dos EUA no Rio de Janeiro, James Story.

Especialmente para a Bahia, foram incluídas 50 peças relativas a candomblé do Museu Afro da Ufba, fotos e áudio de Martiniano Eliseu do Bomfim, famoso babalaô baiano entrevistado por Turner na sua visita até aqui. Esta parte da exposição contará com a cocuradoria de Murilo Ribeiro, diretor do Palacete das Artes.

Os Gullah
A pesquisa de Lorenzo Turner teve início quando ele descobriu, na década de 30, que negros da costa leste dos EUA (especificamente na Georgia e na Carolina do Sul) falavam um idioma híbrido, formado por trinta línguas africanas misturadas ao inglês.

À época, segundo Alcione Amos, Turner não sabia, mas, na verdade, estava lidando com uma língua crioula. “Ele viu dois estudantes falando esse idioma diferente e ficou curioso. Ao contrário de outros professores, não achava que aquilo fosse um inglês mal-falado. Era uma língua distinta, com uma cadência diferenciada”, conta a curadora da exposição.

Os estudantes eram dos povos Gullah, que falam a língua crioula de base inglesa com fortes influências da África Ocidental e Central na costa leste estadunidense.

África na Bahia
O que trouxe Turner ao Brasil e, especificamente, à Bahia, foi o fato de o país haver recebido mais africanos escravizados que os EUA. “Se para lá foram aproximadamente 650 mil, para cá, o número ultrapassou 4 milhões”, estima Alcione Amos.

O segundo fato é que muitas línguas africanas ainda eram faladas aqui na Bahia, nos terreiros de candomblé. “Ele ainda não sabia o motivo, mas sabia que havia essa sobrevivência das línguas e cultura africana no estado. Ao chegar aqui, ele acabou descobrindo a África na Bahia”, explica a curadora.

Programação Paralela
Na quarta-feira, 25, às 17 horas, no Palacete das Artes, houve também a palestra “A Coleção Fotográfica de Lorenzo Dow Turner: Gullah, Bahia, África”, na qual Alcione Amos falou sobre a coleção fotográfica do Dr. Turner.

Fonte: A Tarde – Salvador, BA

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