A falar ainda não nos entendemos

O JN comemorou 130 anos com uma Grande Conferência que teve como mote “A falar nos entendemos: a língua como ativo estratégico”. Celebrar 130 anos de um jornal de grande circulação é já de si uma forma de afirmar a língua portuguesa, ainda por cima porque tem sabido chegar a mais públicos, em particular às comunidades portuguesas no Mundo, apostando numa versão digital dinâmica e apelativa. A conferência teve a intervenção de dois presidentes da República, de Cabo Verde e Portugal, que de forma eloquente e assertiva expuseram as potencialidades de uma língua comum que é das mais faladas no Mundo.

Os dados mais recentes apontam para 260 milhões de falantes na América, África, Europa e Oceânia, sendo ainda língua oficial em Macau. A China tem sido um caso de crescimento exponencial de ensino do português que, em 2002, era ensinado em três universidades (Pequim, Xangai, Cantão) e, em 2018, em mais de 40, com o número a subir. Outros indicadores são relevantes, como a presença do português na Internet (5.ª língua mais utilizada) e nas redes sociais (3.ª língua). Mas o indicador mais significativo é o crescimento demográfico, prevendo-se que seja a língua que mais crescerá, sobretudo em África, cujo número de falantes de português ultrapassará o Brasil. A China aposta sempre no tempo longo e África é um dos seus objetivos estratégicos.

Tem crescido o interesse pela CPLP, como demonstra o número de países observadores associados, que já excedem os estados-membros e duplicarão na cimeira de julho, a realizar em Cabo Verde, estando em fase de candidatura países como França, Itália, Reino Unido.

As línguas são formas de poder, como se constata pela posição assumida pelo inglês, língua hegemónica que domina negócios, ciência e meandros internacionais. O poder das línguas mede-se pelo número de falantes e países em que é língua oficial, mas também pela presença em vários continentes e, sobretudo, o índice de desenvolvimento humano (que inclui nível de educação, esperança média de vida e PIB “per capita”) e as respetivas economias.

Na conferência do JN, o moçambicano Daniel David, notável empreendedor na área da Comunicação Social, destoou do tom geral ao expor as mais evidentes debilidades da comunidade de língua portuguesa, em que a circulação é difícil, as viagens são caras, os contactos oficiais escassos e os negócios cheios de barreiras. A falar assim, ainda não nos entendemos.

Fonte: JN

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